O Conceito

De que se alimentam estas gentes? Que gastronomia peculiar lhe conforta as entranhas, à mistura com esse néctar aveludado, a escorrer na caneca de barro?” (adaptado de Modesto, Maria e Lurdes (1983), Cozinha Tradicional Portuguesa, 4ª Edição, Editorial Verbo, Lisboa)

A gastronomia em Santarém não é apenas o simples regalo dos sabores. É também o resultado do trabalho árduo das gentes que aqui se implantaram e deixaram a sua marca económica e cultural, moldando a paisagem seca e agreste da serra, nas colinas onduladas do Bairro, ou da abundante e fértil lezíria marcada pelo serpenteado do Tejo.

De confeção simples e utilizando os ingredientes de produção local, assenta no aproveitamento de tudo o que campo ou do rio do provem, as couves, a batata, o feijão, o tomate, o porco e seus derivados, o pão, o vinho e o azeite, as enguias, a fataça e o sável.

Mas é à mesa dos restaurantes ou nas tradicionais festividades, que a gastronomia tradicional de Santarém faz eclodir os apetites gustativos e, juntamente com os vinhos de personalidade vincada, se transforma no fio condutor de uma energia que confere a este território um carater de personalidade autentica.

Numa cozinha recheada de sabores naturais, apresentam-se os pratos de carne ou peixe do rio, preparados segundo as antigas receitas ou em atos criativos, num verdadeiro aplauso à imaginação, como sejam o ensopado de borrego, as queixadas de porco assado no forno, o entrecosto fito com arroz de feijoca, o naco de touro bravo avinhado, o pernil de porco assado no forno, a tomatada de ovos, a sopa de peixe, a massa à barrão, o bacalhau assado com magusto, o sável frito com açorda de ovas, as enguias fritas com arroz de feijoca, o ensopado de enguias, ou as petingas de escabeche.

Mas a gastronomia em Santarém quando envolta na espiritualidade dos seus conventos de outrora, traz-nos ainda uma doce criatividade que se explana, em toda a sua grandeza, nos arrepiados e nos celestes. Também os pampilhos que homenageiam o campino e o seu instrumento de trabalho em forma de vara ou os coscorões das adiafas, a mítica refeição que escovava o final da safra da azeitona, celebrando o reencontro com os patrões, adquirem em Santarém a personalidade inquestionável.

Por tudo isto, podemos dizer que a gastronomia surge como um dos fatores diferenciadores da especialização turística do nosso território, e um poderoso argumento para ancorar os processos que conduzem ao desenvolvimento. Orgulhosamente podemos dizer, venha aproveitar os nossos melhores sabores… e aproveite para conhecer um pouco mais de Santarém…